De todas as paixões que tenho na vida, uma muito especial é por Djavan!!!
Sei que não sou a única, mas fã que é fã sente-se especialmente atingida pelo ídolo e no afã de ser reconhecida, chega a cometer os mais variados tipos de loucuras e paga os micos mais diversos. Esta história aconteceu comigo no ano de 1998 na cidade de Londrina.
Djavan marcou um show na cidade e eu, como uma fã egocêntrica, achava que o show seria somente para mim, portanto convidei alguns amigos para compartilharem comigo aquele momento tão especial.Tamanho era o frenesi que acabei emprestando encartes dos meus cd’s para que todos saíssem com autógrafos do show. Fomos ao show (numa casa noturna)!
A princípio minha irritação foi motivada pelos andares descontrolado de algumas "Patricinhas" que insistiam em manter a rotina da balada durante o show de “São Djavan”. Na quarta música eu já estava mais relaxada e inteiramente entregue ao show. que, na minha fértil imaginação,era feito para mim.
Quando o show terminou uma das amigas sugeriu que fossemos pedir autógrafo. Ela, menos tiete que eu, estava encantada pelo filho do ídolo. E lá fomos, marchando em direção ao palco com meus encartes de cd’s a postos. Fomos gentilmente recebidas pelo tal filho que prontamente autografou o encarte e avisou que poderíamos nos dirigir ao hotel para que conseguíssemos o autógrafo do “pai Djavan”. Demos mais um tempo na boate e saímos em carreata ao hotel.
Estacionamos os carros em frente ao hotel e desci em direção ao saguão com a segurança impressionante de quem, a essa altura, já se sentia amiga de infância do ídolo. Por que tiete que se preze não grita nem se descabela, apenas tem muito em comum com aquele que admira. Aliás, controle é algo que toda tiete pensa que tem, porém se tivesse não seria tiete!
Atravessei o saguão do hotel e me dirigi ao recepcionista. Claro que não solicitaria logo de cara o astro! Artimanha de quem sabe que a privacidade é algo muito preservado por aqueles que têm vida pública. Disse: “Por favor, poderia falar com Max?” O recepcionista fitou-me e respondeu: “Quem?” Eu retruquei: “Max, ele está com a banda do pessoal do Djavan.” Djavan... Esta era a senha! O recepcionista entendeu e respondeu que ele havia saído para jantar. Detalhe: eram mais de 2 da manhã. Fiz uma cara de decepção para que todos achassem que meu alvo era o filho, enquanto queria mesmo era o pai. Já me direcionava à saída quando retornei do meio do saguão à recepção e indaguei: “o pai dele está?” E o recepcionista novamente: “quem?” E eu respondi com a naturalidade de quem convive cotidianamente com a celebridade: “o Djavan! Ele está?” E para minha surpresa o recepcionista respondeu que sim. Meio transtornada com a informação (e agora o que fazer? Teria eu coragem para abordá-lo?) saí e fui encontrar meus amigos do lado de fora do hotel.
Como uma adolescente frívola e saltitante, informei que o venerado cantor estava no hotel. Agora, com reforços (duas, das três amigas aliaram-se e animaram-se à solicitação do autógrafo) adentrei novamente no saguão do hotel em direção certeira à recepção. Falei ao recepcionista que queria um autógrafo do gênio no encarte do cd. Foi quando ele prontamente atendeu meu pedido e interfonou para o compositor.
O que eu ouvi naquele momento foi algo mais ou menos assim: “Seu Djavan, desculpa incomodar, mas a Denise está aqui em baixo pedindo um autógrafo no disco”. Depois de um breve silêncio, o recepcionista repete: “A Denise”. E continua: “Sim, senhor. Tá certo. Boa noite”. Desligando o interfone ele comunicou: “Seu Djavan avisou que amanhã pela manhã ele poderá autografar o 'disco'". Com o olhar mais frustrado que o de uma criança sem presentes no Natal, fui me arrastando até a saída com minhas solidárias amigas me acompanhando. O som ao fundo era o da voz do recepcionista avisando aos outros funcionários: “Seu Djavan avisou que não quer ser mais incomodado”.Ingrato! Eu incomodando? Imagine!
Do lado de fora, após o comunicado da frustrada empreitada no meio da madrugada, um dos amigos começou a gritar como um desabafo pela espera e pela cena infeliz de pedir para que o “São Djavan” assinasse um simples encarte de cd. Ele berrava: “Djavan, Oh, Djavan! Desce aí, cara. A Denise quer te ver! Djavan, oh, Djavan! Acorda, Djavan! A gente tá aqui embaixo”.
Com a vergonha de quem seria reconhecida pelo ídolo ordenei que todos deveríamos sumir de lá o quanto antes. Melhor assim! Preferível o anonimato sem autógrafo do que o reconhecimento da incomoda cena conduzida pelo amigo. Até hoje tenho uma dúvida: será que o tal recepcionista interfonou mesmo para o astro? Porque se for verdade pelo menos ele sabe que uma tal Denise quis um autógrafo seu no meio da madrugada.
Como já disse antes: tiete é o bicho mais egocêntrico do mundo!
Beijos, me bloga!